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sábado, 19 de junho de 2010

Todo amor é uma navalha

Todo amor é uma navalha

Fino fio feito folha de alumínio

Que corta, fere, faz sangrar

Mas não mata, só deixa morrer aos poucos

Como cachoeira caindo contra as pedras

Que aos poucos a névoa faz levantar

Aos poucos o arco-íris faz morrer


Coração ferido à golpes leves de navalha

Coração parido, cicatrizado, remodelado

Esperando o único golpe

O decisivo, o certeiro

Aquele que no peito abre um vão

Este que permite que outra navalha

Venha continuar a tortura

Que tantas outras me fizeram sofrer

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Vão da Navalha

Vão da Navalha

Zé da Navalha, homem louco. Maria Mameluca, mulher resoluta. Zé babava por Maria, Maria não babava por ninguém. Um dia Zé da Navalha criou coragem e foi como um risco atrás de sua paixão. Maria Mameluca, com ímpeto de mulher macho apartou o babento. Então esperou mais o pobre Zé. Com uma navalha no bolso e uma rosa na lapela foi atrás de Maria Mameluca. Dessa vez com gritaria, a Mameluca expulsou o apaixonado, fez ele engolir a rosa e picotou-o na navalha, abrindo um vão em seu peito, extraiu o coração e comeu com gosto. Isso que era mulher!